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Era Inverno e caiu neve

E tudo ficou branquinho

Numa aldeia que ficava

Ao lado de um ribeirinho.

 

Três meninos da escola

Fizeram um bonequinho

E puseram no nariz

Um ramo de pinheirinho.

 

A este lindo boneco

Chamaram logo Nevão

E puseram-lhe um chapéu

Que era um velho panelão.

 

Com o boneco prontinho

Os três meninos e o cão

Puseram-se todos juntinhos

Em frente ao lindo Nevão

 

O passarinho já canta

O cão já sabe ladrar

Mas os meninos não sabem

Que nome é que lhes vão dar.

 

Eu conheço uma menina

Que sabe tudo a brincar

E vai dar um nome a todos

E a história vai acabar.

 

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Encostei o ouvido e ouvi
Há quanto tempo bate o coração

E durante o tempo que vivi

Senti sempre comigo a tua mão


Este Natal penso tanto em ti
E o quanto queres que eu seja feliz

Tudo o que ensinaste aprendi

Tanto de ti está dentro de mim


E agora, que a véspera chegou
O quanto tu me deste eu dou

 

Dá-me a tua mão!

 

 

 

 

  
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CD cigarra formiga

Audiolivro:

 

  

      Antigamente, quando não havia máquinas nem tratores, os camponeses trabalhavam nos campos, a pé ou com o carro de bois. Por isso, as estradas do campo eram dois carreiros deixados pelos sulcos das rodas, entre os quais cresciam tufos de relva e pequenos silvados.

 

      Exatamente na beira de um desses carreiros havia uma velha figueira, que estendia os seus longos ramos contorcidos. Tinha muitos hóspedes: alguns de passagem, outros permanentes. Entre aqueles que iam e vinham estavam os melros. Apareciam sobretudo quando os belos figos já estavam bem maduros, isto é, em setembro. Melros e gralhas pousavam muitas vezes a descansar na sombra das suas largas folhas verdes, embora nelas não fizessem os ninhos.

 

      Em baixo, ao nível do chão, a figueira alojava uma colónia de inquilinos permanentes. Eram as formigas: tinham aproveitado uma fenda no tronco para escavarem uma intrincada rede de galerias e cirandavam durante todo o dia à procura de comida. Por sorte, o carreiro marginava um campo de trigo e, nos meses de verão, conseguiam acumular uma grande quantidade de provisões.

 

As Formigas

Somos as formigas,
estamos sempre a trabalhar.
Acordar bem cedo para bem tarde deitar,
Procurar,
p’ra guardar...
uuu … uuu ...
Somos as formigas
muitas pernas para andar
Fortes e unidas, não podemos descansar!
Procurar,
p’ra guardar...
aaa … aaa …
A Primavera,
Sol do Verão
Cai o Outono e então
Inverno

 

No primeiro andar, na bifurcação entre o tronco e o ramo mais baixo, morava uma cigarra. Dizemos “morava”, mas talvez devêssemos dizer simplesmente “estava”, porque não tinha casa digna desse nome. De facto, mexia-se muito pouco, só o suficiente para procurar comida. Em compensação cantava, e o seu canto, não sendo particularmente harmonioso, era pelo menos forte. Podia-se ouvi-lo até à curva, lá em baixo, no fim da encosta. Cantava em honra do verão, do céu azul, do sol, do agradável preguiçar.
Do seu posto, observava o formigueiro. Via toda aquela confusão, aquele vaivém atarefado de animaizinhos negros. As formigas formavam uma fila dupla: umas em direção ao campo, outras regressando com grãos de trigo. Cada grão era maior do que cada uma delas, mas não pareciam sentir o cansaço.
“Por que será que se atarefam tanto?” - pensava a cigarra - “Que tolas! Estafam-se a trabalhar em vez de gozarem o sol e o ar livre!”

 

A Cigarra

Para onde é que elas vão?
Estão baralhadas?
estão ordenadas?
Mas que confusão.

São mais de um milhão!
Um batalhão!
Todas a mexer...
E eu mesmo parada,
fico cansada
de as ver correr.
(...)

 

Um dia pensou em travar conversa para se distrair um pouco. Voou e, dirigiu-se à primeira formiga que encontrou, disse-lhe:
- Ei, espera aí! Não queres conversar um bocadinho?
- Oh, eu bem gostava... - suspirou a formiga - mas tenho tanto que fazer! Nós, as formigas operárias, temos de procurar comida para o formigueiro, e...
- Está bem, está bem. Mas fazem algo de agradável, sem ser matarem-se de trabalho?
- Bem... Não... Nada!
- E cantar? Sabes cantar?
- Realmente, não.
- Pobrezinha, tenho pena de ti. Vê como nós, os artistas, somos diferentes! Cultivamos o nosso talento e nem pensamos em encher a barriga, enquanto vocês, criaturas inferiores, não pensam noutra coisa...
A formiga ainda lhe quis responder à letra, mas estava com pressa e, por isso, resmungando qualquer coisa, enfiou-se na sua covinha.
Passou o verão. O sol nascia cada vez mais tarde e punha-se cada vez mais cedo. As folhas das árvores engelhavam-se e caíam. Chegou o dia em que a cigarra não tinha mais nada, mesmo mais nadinha que comer e, ainda por cima, estava imenso frio.
“E se fosse pedir alguma coisita às formigas? Com todo o trabalho que tiveram, hão-de ter a despensa bem fornecida”

Para chegar ao chão foi uma odisseia! A cigarra, que já nem forças para voar tinha, movia a custo as patas entorpecidas. Com muita, muita dificuldade, lá conseguiu, por fim, chegar diante do formigueiro.

(...)
Tenho tanta fome,
quem me vai ajudar?
Se eu pensar
voltava atrás...
voltava atrás...

- Eh, amigas! Eh, venham cá fora - chamou com o pouco fôlego que ainda lhe restava.
- Que é que queres?
Uma cabecita negra apareceu fora da covinha, mexendo as antenas.
- Ah, já sei! ... A artista! Lamento muito mas nós, seres inferiores, armazenamos comida à justa para passarmos o inverno, por isso não podemos dispensá-la para alimentar mandriões.
E voltou a entrar no seu buraquinho, deixando a cigarra a lamentar as suas desgraças.
 

Esta fábula ensina-nos a sermos previdentes: primeiro o dever e só depois o prazer.

 

As Mais Belas Fábulas de Esôpo. (1994). (Vol. Mais Belos Contos): Livraria Civilização Editora.

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[Poema de Firmino Mendes em 15.10.1989]

Era uma vez um peixinho
Que andava há muito no mar.
Nadava muito depressa,
Sempre à espera de chegar.

 

Um dia, chegou à terra
E viu uma praia linda:
Viu pessoas, viu crianças
E muitos bebés, ainda.

 

Alguns andavam nas ondas
A mergulhar e a nadar
E o peixinho adorava
Vê-los assim a brincar.

 

Pediu à Fada Rainha
Que lhe fizesse um favor:
Queria ser uma menina,
Sentir o frio e o calor.

 

E então a Fada Rainha,
Com a vara de condão,
Adormeceu o peixinho
E segurou-o na mão.

 

Foi com ele pelo ar
E entrou numa casinha.
Transformou-o em menina,
Deitou-a numa caminha.

 

Hoje lá anda a menina
A correr e a saltar
Mas não se lembra que há anos
Era peixinho do mar!

  
 
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Audiolivro:

 

 

     Numa bela manhã de primavera os animais do bosque encontravam-se reunidos debaixo do Carvalho Grande. Falava-se de tudo e de nada, apenas para passar o tempo. Mas, como acontece frequentemente quando não se tem nada para fazer, aquela conversa foi-se transformando aos poucos numa acalorada discussão. Foi assim que tudo se passou.

      Gertrudes, a lebre, levantou a pata direita e, olhando-a distraidamente, comentou: 

     - Agora já está mesmo curada da picada daquele espinho... Vejam só que na semana passada quase não conseguia correr. Até parecia uma tartaruga.

     - Uma tartaruga? - perguntou Penélope, a tartaruga, espreitando para fora da sua carapaça castanha. - Que temos nós, tartarugas, com a tua ferida?

     - Sim, uma tartaruga - repetiu a lebre. - Não me quererás dizer que voces tartarugas também correm, pois não? Nem sequer sabem andar. Praticamente não têm pernas!

     - Que insolente! - replicou Penélope, ressentida. - Vê bem se não tenho pernas!

     Fincou as patas anteriores numa grande pedra coberta de musgo, levantou o mais que podia o rabo, esticou as patas traseiras e fez com que saíssem completamente da carapaça. Mas, embora se tivesse esforçado muito, o resultado desse esforço foi tudo menos brilhante. Por isso houve risada geral.

     - Vá lá Penélope - interveio Teo, o veado. - Admite que quase não tens pernas...

      - Sim, sem pernas. Enfim, uma partida da natureza. - acrescentou Gertrudes.

     - Cuidado com a língua, rapaziada. Eu também me posso zangar! - interveio Clotilde, a serpente. 

 

Penélope, oh tartaruga,

tu sabes o quanto és vagarosa, 

que o tempo fica tão lento para ti...

 

Estica, estica, estica, 

e talvez com uma pata de cada vez,

talvez possas correr...

 

     - Seja como for, mesmo não sendo uma campeã de velocidade, acho que me poderei sair muito bem e com muita dignidade numa corrida com qualquer um de vós, seus presunçosos! 

 

Estica, estica, estica, 

e talvez com uma pata de cada vez,

talvez possas vencer...

 

     - Nhãnhãnhãnhãnhã-nhã! Vê se me apanhas! - cantarolou a Gertrudes, saltitando-lhe em volta.

      - Ah, não, assim é muito simples: no arranque não há dúvida que me ganhas. Eu entendo que uma verdadeira corrida é, por exemplo, a maratona...

     - Ah, ah! Vá lá, desafia-me! Penélope, desafia-me! Ouviste-me? Ah, ah! - zombou Gertrudes, continuando a saltitar.

     - Parece-me que a questão se pode resolver com uma bela corrida - sentenciou Teo, com uma sacudidela dos seus extraordinários chifres. - Eu, a raposa Rossela, aqui presente, e a serpente Clotilde seremos o júri. O percurso poderá ser a volta ao Pico Solitário, seguindo a margem do ribeiro até à nascente. Acha-lo muito comprido, Penélope?

     - Está muito bem.

     - E a ti, Gertrudes, parece-te bem?

     - O quê? Mas vocês devem estar malucos. Eu a competir com uma tartaruga? Perderam o juízo, com certeza, meus amigos!... Está bem, já que é o que querem, assim seja.

     Dito e feito. As duas concorrentes alinharam junto ao Grande Carvalho.

     - Estão prontas?... Partida! - gritou Teo.

     Penélope levantou lentamente uma pata e, quando voltou a pousá-la no chão, já Gertrudes desaparecera na curva.

 

Eu sou a lebre eficaz, sou um ÁS! 

Tu nunca mais me apanharás...

sou a lebre eficaz, sou um ÁS!

oh pequena, pobre tartaruga!

nunca mais me apanhas, 

nem te esforces mais!

porque eu sou a lebre eficaz, sou um ÁS!

oh pequena, pobre tartaruga!

 

     “Que ideia tão tola!” - pensava a lebre enquanto corria. - “Pôr-me a correr a esta hora da manhã, de estômago vazio, por causa daquela tartaruga maluca... Não é possível!”

     Correu e saltou e, entretanto, chegou o meio-dia.

     “Já devo ter um grande avanço sobre ela” - pensou a Gertrudes. - “Estou tentada a parar para comer alguma coisa e dormir uma soneca...”

     Assim, saiu do caminho, aproximou-se da beira da valeta e comeu algumas cenouras tenrinhas. Em seguida, embrenhou-se no matagal e, ajudada pelo calor do sol primaveril, adormeceu profundamente.

     Quando acordou era noite cerrada. O silêncio era absoluto e a lua permanecia suspensa no céu, como se fosse uma enorme foice dourada.

     O coração começou a bater com força no peito de Gertrudes.

     - Pobre de mim! - exclamou. - Quanto tempo terá passado? Desde que não chegue muito tarde! - e lançou-se em grande corrida, com as suas longas orelhas ao vento.

     Como era veloz! As árvores e os matagais redemoinhavam diante dos seus olhos. Saltava por cima de moitas e de troncos caídos, e corria, corria, corria, sem nunca olhar para o lado e retomar fôlego..

 

Quem foi, quem foi o mais rápido afinal?

O mais veloz em todo o mundo animal?

A tartaruga nunca desistiu!

A tartaruga concentrou-se e não caiu!

E a lebre foi dormir, nem reparou que ela passou.

 

Será? Será? Será que vais ser capaz?

Lebre eficaz, não eras tu um ÁS?

Será? Será que viste quem vinha lá trás?

Será que serás p’ra sempre eficaz?

Que te basta ser um ÁS, será que serás capaz?

 

     Chegou, então, ao Pico Solitário, circundou-o e, vendo ao fundo os prados, retomou a corrida em direção ao Carvalho Grande.

     Mas o seu esforço foi inútil. Com o ouvido apurado ouviu um eco de bramidos, de sibilos, de latidos festivos. Em seguida distinguiu os perfis dos seus amigos animais, que se agitavam freneticamente ao luar.

     Não faziam mais do que festejar a vitória de Penélope que, naquele preciso momento, esgotada mas feliz, cortava a meta.

 

     Moral da história: “Devagar se vai ao longe.” Ou seja, muitas vezes , quem persevera no seu trabalho obtém melhores resultados do que quem, confiando nas suas capacidades naturais, se deixa levar pela preguiça.

 

 

As Mais Belas Fábulas de Esôpo. (1994). (Vol. Mais Belos Contos): Livraria Civilização Editora.

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